COLUNAS: Futebol cearense: um circo capenga, por Danilo Lopes

maio 12, 2012 | COLUNAS, DANILO LOPES

A balbúrdia que se tornou o campeonato cearense de 2012 será registrada como uma das maiores da história do futebol alencarino. Sem leis, sem regras e sem comando, o futebol cearense entrou em um abismo onde a lei é puxar para o buraco quem quer que seja. Como procuro ser sensato no meu pensamento tentarei descrever, objetivamente, as ordens dos fatos para que o torcedor tire sua conclusão.

  1. Robinson de Castro, então presidente em exercício do Ceará Sporting Club (CSC), acorda com o presidente do Fortaleza Esporte Clube (FEC), Osmar Baquit, que o Clássio-Rei do Reinado da Discórdia, ocorresse com duas torcidas e que cada clube pagaria 5 reais por seu sócio. Tudo combinado, palavra de homem dada (será que vale no nosso futebol?)
  2. Pouco tempo depois, Osmar Baquit desacorda, obviamente, influenciado por aqueles que estão no submundo do futebol há muito tempo. Esse descordo prejudicaria o CSC, já que este possui um número maior de torcedores oficiais. O que os dirigentes do FEC, ao tomarem tal atitude, não pensaram foi em proteger os seus sócios, mesmo que tivesse somente 1.
  3. Nesse momento, o presidente Evandro Leitão retorna ao clube e solicita torcida única. O que era o meu desejo pois, na minha opinião, não afastaria torcedores temerosos da violência que existe de fato e não prejudicaria a renda tão importante para clubes que vivem de mãos estendidas aos torcedores mais abastados já que, se assim não fosse, não conseguiriam se manter.
  4. Nesse momento, entra o Tribunal de Justiça Desportiva de Futebol do Ceará  (TJDF- CE) que tem como presidente um torcedor tricolor e como procurador um polêmico ex-presidente do FEC e determina 2 torcidas para o clássico. Nesse momento, ERRADAMENTE, o presidente Evandro Leitão abre mão do mando de campo destinando este à Federação Cearense de Futebol, cuja direção é mister em falta de resolutividade, organização e capacidade executiva. Dessa forma, todo torcedor tem que pagar.
  5. Realizados os dois jogos iniciais, contabilizados os prejuízos financeiros para todos os lados, Prefeitura, clubes, torcedores e população da vizinhança do PV, os dois clubes fazem a final do campeonato.
  6. Mais uma vez a discordância é a tônica e o pensamento em levar o outro a ter prejuízo reina. A FCF resolveu beneficiar a torcida do FEC nessa final de uma forma claramente partidária.

A FCF e seu presidente Mauro Carmélio (eleito pelo CSC mesmo conhecendo sua vida pregressa no nosso futebol), coitada, sem comando, sem respaldo acaba o campeonato como a grande responsável por tudo isso, ajudada pelos dois grandes clubes. De nada serve conselho arbitral, de nada servem as regras. Talvez um dia, quando cada um olhar somente para o seu umbigo e o comando de nossa federação tiver pessoas sem os vícios que tanto atrasam o esporte local, as coisas mudem. O que existe de melhor no futebol local virou um circo, tendo como equilibrista um Vovô cansado, como animal um Leão atormentado, mas com muitos palhaços!

Tudo o que foi relatado consta em atas na FCF. Enfim, não me sinto feliz em ter que ordenar os acontecimentos como de fato ocorreram, não deveria ser minha função e sim, de quem vive da informação.

Danilo Lopes

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