Humildade e esquecer o que passou, Por Andrade Neto

setembro 27, 2014 | ANDRADE NETO, COLUNAS

Muito se pergunta o que o Ceará deve fazer para conseguir voltar a encontrar as vitórias. A pergunta é de difícil resposta, e o futebol por mais paradoxal que seja, foge, e muito do pragmatismo. Em muitas situações da vida, quando temos problemas e voltamos a estaca zero, conseguimos voltar ao seucesso, mas no futebol a coisa é diferente. O tempo é outro, o preparo físico é outro, a motivação do jogador é outra, a aplicação tática do atleta é outra, e tudo isso influencia para que a aplicação de muitos sistemas uma vez vencedores, quando repetidos, em pouco tempo depois não se consiga o sucesso. Uma lembrança recente é o quadrado mágico da seleção brasileira na Copa de 2006, quando o mesmo time não conseguiu chegar nem perto do futebol apresentado há pouco menos de 6 meses anteriores, aquela copa.

No Ceará vivemos o dilema parecido. O esquema de Sérgio Soares vencedor, e com excelente aplicabilidade foi um sucesso, principalmente quando a equipe estava “voando” fisicamente. Com a queda de preparo físico do time e a “perda da liga” com uma sequência de maus resultados o torcedor se pergunta o que fazer hoje. Vendo o G-4 se distanciar a cada rodada, e assistindo o navio ficar a deriva na série B, o torcedor se pergunta por uma solução para que essa mudança aconteça de forma a modificar a realidade do Vozão.

Primeiro foram as contusões e os cartões que fizeram a equipe perder a sequência, depois tentou-se manter o esquema com os jogadores reservas, e viu-se que não se foi possível, hoje foi tentado jogar com 2 volantes, e o mesmo resultado não aconteceu, mas logo o esquema foi mudado para o tradicional 1 volante, e com o meio-campo que todos adoram (João Marcos, Ricardinho, Eduardo e Nikão), e mesmo assim nada de excepcional aconteceu com o Ceará jogando um futebol medíocre, digno de sono e displicência.

O questionamento fica em sabermos qual o problema: Seria a falta de pulso da diretoria nesse momento? Seria a própria ausência do presidente-licenciado Evandro Leitão que estaria causando essa falta de pulso no futebol? Seria a falta de um, talvez, incentivo financeiro para o elenco? Ou seria o treinador que realmente perdeu o pulso do time, e não consegue mais fazer esse elenco render e ter sangue no olho para voltar as disputas da séria B?

O que sabemos é que nos últimos 7 jogos do Ceará, o clube conseguiu somente 2 vitórias, 2 empates e 3 derrotas, totalizando 8 pontos. Se formos mais longe, nos últimos 11 jogos do Ceará, o clube totalizou 12 pontos, tendo um percentual próximo de 35% de aproveitamento (média de zona de rebaixamento). A verdade é que fase ruim são 3 a 4 jogos de mal resultado, quando você tem cerca de 11 jogos, e poucos resultados expressivos, isso não é mais má fase, mas sim uma perda total dos rumos da equipe. Muito já se foi tentado, mas nada conseguido: já se tentou, em termos de equipe, o plano A, B, C e D, e se nada foi conseguido está na hora de se mudar totalmente os rumos, um verdadeiro choque. Devemos entender que mesmo que cabeças rolem deve-se voltar a buscar o rumo das vitórias e do acesso, até porque se esperarmos demais, a distância pode aumentar, e o adeus pode acontecer antes mesmo do que nós esperávamos.

Cabe ao torcedor, nesse momento acordar, à diretoria executiva, sair da passividade, e ser atuante, já a comissão técnica, deve tentar modificar em campo não só a forma do time jogar, mas tirar o algo mais de quem ainda tem algo a dar. Boa Sorte a todos que conduzem o clube nas decisões, elas serão fundamentais para o seu futuro. Esquecer o que passou é necessário para poder pensar no futuro, e ter humildade de que não somos o que um dia já fomos é o primeiro passo.

 

Andrade Neto

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