Esquecemos os trilhos do acesso, Por Andrade Neto

maio 28, 2016 | ANDRADE NETO

Muito tempo se passou, conhecemos vitórias e conquistas, trilhamos e sabemos o caminho das pedras, mas infelizmente vemos o retorno daquele Ceará dos anos 2000. Um Ceará onde as contratações de jogadores não passavam de atletas medianos da série B, sem um histórico bom do ano anterior. Atletas que eram meras apostas, com mais deficiências do que acertos.

Voltando à 2008 e 2009:

Aquele Ceará vencedor que ficou no passado, lembro, por está muito próximo à época daquela gestão, de como o Ceará de Evandro Leitão e Jurandir Júnior trabalhava em 2008 e 2009. Era um trabalho árduo do presidente e gerente de futebol, um catálogo de praticamente todos os jogadores da série B de 2008 foi construído com o perfil, e tudo aquilo que os jogadores eram capazes de fazer: dentro e fora de campo. Evandro e Jurandir sabiam o que iam contratar em 2009, tinham a plena certeza de quem seriam os jogadores, e que se um não desse certo logo partia-se para o plano B, C ou D.

Ali estávamos próximo do sucesso, um presidente que saía do clube às 22hs, e voltava no outro dia às 07hs da manhã, um mandatário que sabia onde estava cada caneta no Ceará, e no futebol, tinha a plena certeza quem era cada um de seus atletas, dentro e fora de campo. Mas vocês devem está perguntando o porque estou lembrando disso. A resposta é clara, para saberem que A BOLA NÃO ENTRA POR ACASO. A bola de 2009 entrou não só pela competência das contratações, mas também pelo foco de todos, tanto de Evandro e Jurandir, como de todos aqueles que circundavam. Não existia vaidades, nem o “eu” maior que o clube, o que se via era a possibilidade de um sonho ser realidade, mas o principal dessa vitória não foi a organização administrativa, como muitos pintam em um quadro que não conhecem. O fator principal foram três que muitos esquecem: Foco, Presença e Coragem.

1) Foco – Aquela diretoria não tirava em nenhum momento o foco de seu objetivo. A série B era obsessão, todos os recursos do clube eram focados para a série B, se sobrasse um único real esse seria revertido nem que fosse para comprar um Gatorade para um atleta, mas tudo, eu digo tudo era voltado para o acesso, não se deixava escapar nada.

2) Presença – O presidente do clube era o exemplo máximo, presente em qualquer reunião, em todos os locais. Programas de rádios, pelo menos um ou dois semanais, de Televisão também pelo menos uma entrevista por semana, sem se falar nas inúmeras entrevistas nos sites que víamos. Afora essa presença para com o torcedor, também víamos um Evandro que junto dos jogadores não faltava uma única preleção, que em quase todos os treinamentos estava à beira do gramado, e que em todos os jogos fora de casa estava lá para definir os destinos do clube.

3) Coragem – Um presidente vencedor tem que ter coragem para sentir o momento certo de arriscar. A tal política “pé no chão” pintada de verso em prosa nos dias de hoje, caem por terra quando em 2009, Evandro foi extremamente ousado em contratar o atacante Mota, e o treinador PC Gusmão por cifras inimagináveis por um torcedor do Ceará. Tínhamos dinheiro para isso? Não, mas tínhamos coragem de fazer jantares, vender camisas, arrecadar notas fiscais para pagar aquilo que era o nosso sonho, o acesso.

Ceará nos dias de hoje:

Faço toda esse perspectiva para provar por A+B que o sucesso não vem de uma boa administração, como alguns querem justificar as grandes construções feitas como sucesso, mas sim da dedicação, paixão, presença, foco e coragem. Sem esses fatores não conseguiremos nenhum acesso, e o que vemos hoje no Ceará é algo que passa muito longe disso.

A presença do presidente em programas, e em Carlos de Alencar Pinto não se vê nem de perto do que era essa presença do Evandro na época de 2008 e 2009. O foco passa é longe, se não vejamos falta dinheiro para contratar jogador, mas não falta para se gastar num ginásio que não sabemos o preço dessa grande obra, que pode ajudar no futuro, mas que tira parte do nosso sonho no presente. Já a coragem é algo que passamos longe de ver quando assistimos as contratações realizadas até agora pelo clube. Tivemos 1 mês e meio para contratar, e no final assistimos  as grandes contratações para o acesso como Wescley e Marino, onde as outras foram jogadores que passaram longe de ser algum destaque na série B do ano passado.

A verdade que hoje não devemos reclamar de um time sem brio e comando em campo, pois não vemos esse brio dentro do clube, nem na direção. Esperamos para ver a real gestão de Robinson de Castro, que até agora vem mostrando somente ser uma boa administração do clube, mas para o Ceará subir precisa de muito mais que isso, para que sonhos se tornem reais precisa lutar, e sonhar acordado, uma mera organização administrativa não nos levará a lugar nenhum, pois “a Bola não entra ao acaso”, e esse trilho já sabemos qual é: foco, presença e coragem.

A sorte de 2016 já foi lançada.

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