Paixão, lágrimas e alívio: Ceará, um eterno caso de amor

junho 2, 2016 | MATERIAS ESPECIAIS

Os vários campeonatos estaduais, o título da Copa do Nordeste e o alívio de não descer para a terceira divisão. Esse texto representa um pouco da emoção que todo Alvinegro viveu na última rodada da Série B de 2015.

Hoje, é um dia de relembrar glórias e de sentir como é bom torcer Ceará. O amor não se explica, ele se sente. A paixão é devastadora. Às vezes te maltrata, te faz sofrer, mas qual paixão não faz isso? O meu Vovô não faz diferente. Mas é ele que amo. Ele que me faz perder o eixo e me deixar rouca na arquibancada. É quando na solidão, me lembro que tenho ele. 102 anos de Vozão, de paixão, do Mais Querido no meu coração.

A paixão às vezes cega. Faz crer na esperança até quando tudo parece dar errado. A não lógica do futebol vai ainda mais além de qualquer sentimento. A crença e a fé: duas palavras que fizeram parte do longo caminho do Ceará para ficar na Série B.

Valeu a pena ter fé

O alívio veio. Um gol de pênalti. Um sufoco grande. Mas no fim, a certeza que o futebol vai bem além das quatro linhas e de lógicas estabelecidas por matemáticos. A frase clichê: “enquanto existe vida, existe esperança”, fez parte da trajetória do Ceará na Série B. O time que tinha 98% de ser rebaixado jogou os cálculos para o alto e hoje é o time que pode comemorar a permanência na Segunda Divisão do futebol nacional.

Com mais de 45 mil pessoa na Arena Castelão, o Vovô venceu o Macaé por 1 a 0, rebaixou o time do norte carioca e se salvou do que seria o maior vexame de sua história de 101 anos: a terceira divisão.

A alcunha de ‘doido’ fez todo o sentindo quando Lisca aceitou o desafio de assumir um time devastado por resultados negativos. Um milagre era necessário para que, o Ceará em sua primeira vez na história, não fosse rebaixado para a Série C. E adivinha? Aconteceu o milagre!

A multidão que incentivava os 11 guerreiros dentro de campo, fez sua parte. Vestiu a camisa e gritou: “eu acredito” até nos momentos mais complicados, quando a equipe alvinegra ficou na lanterna da competição e 8 pontos distante do primeiro time fora da degola.

Foram meses difíceis. As trocas de técnicos, as más atuações, os jogadores que não rendiam, mas quem disse que futebol tem lógica? Restavam 9 jogos. O Alvinegro precisava de 6 vitórias e um empate para depender apenas dele na última rodada. As estatísticas não ajudavam. Mas a equipe teria 17 dias para trabalhar e chamou Lisca, o Doido. Técnico novo, motivador, tudo se encaixaria. E se encaixou. E mudou a história.

Mas Lisca, na época, bem realista, viu as qualidades mesmo na derrota. Com os pés no chão afirmou o que tinha que melhorar. Mas o próximo desafio era nada mais nada menos que o líder da competição: Botafogo. Contudo, a incrível reviravolta do Ceará começou ali, naquela 30 de outubro, no estádio Engenhão. Uma vitória que não estava na conta veio. Depois dela mais quatro triunfos seguidos. O Vovô saiu da zona depois de 29 rodadas.

A respiração voltou a melhorar para o torcedor, mas ainda não foi aquele alívio. Em um jogo complicado, o Ceará voltou a ser derrotado, dessa vez pelo Vitória e o Macaé em um jogo eletrizante venceu o Atlético/GO e o alvinegro voltou para o maldito Z4. Tudo ficaria para a última rodada. O Vovô precisava de um ponto para depender apenas dele na “final”. E o ponto veio, diante do América/MG. A final aconteceu e o resultado eu já contei aqui.

O time que foi campeão da Copa do Nordeste, que mudou de patamar, que tem um Centro de Treinamento, que investe nas categorias de base, não merecia descer um degrau como esse. A lição ficou. O trabalho tem que ser grande em 2016 para que o sufoco não se repita. Novos desafios virão, mas com menos sufoco, assim espera o torcedor do Vovô, agora totalmente aliviado.

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