2009: Relembre o retorno do Ceará à elite do futebol brasileiro

novembro 21, 2016 | MATERIAS ESPECIAIS

(FOTO: Kiko Silva/Diário do Nordeste/Arquivo DN)

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Ah! 2009! Que ano inesquecível foi você hein? Há 7 anos estávamos comemorando aquela vitória contra a Ponte Preta e depois de 16 anos voltávamos para a Série A.

Choro. Riso. Emoção. Falta de ar. Foram vários sentimentos misturados naquele momento que chegamos na elite.

Depois de uma campanha inesquecível de superação, conseguimos essa conquista. A torcida que é apaixonada, em todos os momentos, ficou ainda mais enlouquecida.

As ruas lotadas, o aeroporto entupido (uma cena inesquecível), e só quem viveu isso sabe do que estou falando, foi uma das coisas mais emocionantes vividas para quem tem o coração em preto e branco.

Então, vale a pena viver e relembrar alguns dos momentos inesquecíveis que levaram o Vovô a Série A:

(FOTO: Kiko Silva/Diário do Nordeste/Arquivo DN)

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Restruturação interna

Após assumir a presidência do clube em 2008, Evandro Leitão fez uma grande revolução dentro do Ceará. Na parte estrutural, a sede foi passando por transformações e ganhou modernidade.

Apesar do baque do vice campeonato estadual, o time passou por mudanças pontuais e Evandro acertou bem nas escolhas de atletas e principalmente do comando técnico.

Os salários eram pagos rigorosamente em dia e o acesso foi consequência de um trabalho bem planejado e executado.

Zona de Rebaixamento

As seis primeiras rodadas do Campeonato foram desastrosas. Foram três pontos (empates com Juventude, Figueirense e Paraná) conquistados, em 18 disputados. “O jogo da virada” foi a primeira vitória na competição. E ela veio de forma sofrida, frente ao São Caetano, aos 44 minutos do segundo tempo. O gol foi marcado pelo zagueiro Fabrício. O Ceará não era mais lanterna, assumiria à 18ª colocação e engatava uma sequência de 10 jogos invictos (9 vitórias e 1 empate).

 (FOTO: Kiko Silva/Diário do Nordeste/Arquivo DN)

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PC Gusmão

Assumiu o Ceará na quarta rodada, após Zé Teodoro receber uma proposta do Juventude. Seu primeiro jogo foi contra o Figueirense, num empate em 2 a 2, no Castelão.

PC armou seu sistema tático com três volantes e deu vida a uma das maiores engrenagens defensivas, mas eficaz no ataque, da história do Ceará. Tinha o comando do grupo que era outro ponto forte de 2009.

Elenco – União 

(FOTO: Kiko Silva/Diário do Nordeste/Arquivo DN)

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Em um campeonato longo como a Série B, é essencial ter um bom banco de reservas. E isso, o time do Ceará também tinha. Os 11 que começavam eram considerados titulares por mera convenção, a equipe de PC Gusmão tinha jogadores de qualidade também sentados no banco de reservas, e quando entravam davam conta do recado, sem deixar a qualidade técnica da equipe cair. Marcelo Bonan, Maracanã, Jorge Henrique, Careca, Reinaldo e Sérgio Alves eram exemplos.

Trio de Ferro

A solidificação do trio Heleno, João Marcos e Michel foi um dos fatores determinantes para o acesso. Os três se complementavam: Heleno (um jogador de marcação firme, mas não desleal), João (com um número altíssimo de desarmes, dentro de campo passava desapercebido, mas era vital no esquema) e Michel (força, virilidade e raça era a marca deste que depois ganhou carinhosamente o apelido de Guerreiro pela torcida) foram força motriz para o apogeu no final da temporada.

O esquema tático deu tão certo que foi um dos fatores determinantes para permanência do Ceará na Série A em 2010.

(FOTO: Kiko Silva/Diário do Nordeste/Arquivo DN)

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Líder

Geraldo foi contratado com a promessa que o problema da “camisa 10” seria resolvido. Fez um Campeonato Cearense bem atuante, mas amargou o vice campeonato.

Viveu seu melhor momento no segundo semestre. Foi o artilheiro do Vovô na competição com 13 gols, mas seu papel foi fundamental fora das quatro linhas. Comandou um dos grupos mais compromissados, centrados e fortes da história recente do clube.

 (FOTO: Kiko Silva/Diário do Nordeste/Arquivo DN)


(FOTO: Kiko Silva/Diário do Nordeste/Arquivo DN)

Mota

Em 26 de julho de 2009, o Ceará acertava a contratação de um reforço que encaixaria facilmente em qualquer time de Série A daquela época: Mota. Aliado a isso, um torcedor de carteirinha, tanto que se tornou sócio.

Foram cinco gols, mas o ganho de qualidade do sistema ofensivo do time foi latente. O homem do “Antônio Bezerra” entraria de vez no hall dos grandes ídolos alvinegros com o acesso a divisão de elite do futebol brasileiro.

Polivalentes

Arlindo Maracanã e Jorge Henrique: apesar de serem reservas (Boiadeiro e Fábio Vidal eram os titulares), como não lembrar dessa dupla? Ambos jogavam nas laterais, mas quem disse que eles também não poderia armar jogadas no meio-campo?E assim foram essenciais também para a conquista de 2009.

Preto e Amorim: 2º e 3º artilheiros do Ceará na competição, respectivamente, os dois foram responsáveis por mais de 24% gols do time do povo na competição, sendo esses vários gols importantes. Apesar de nunca terem sido unanimidades, ajudaram bastante e tinham papel importante também no sistema defensivo.

(FOTO: Kiko Silva/Diário do Nordeste/Arquivo DN)

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Gol de Mão

Qual torcedor do Ceará que acompanhou a épica campanha do Vovô consegue esquecer daquele jogo contra o Paraná? O polêmico gol de mão marcado por Wellington Silva, atacante do time paranaense, fez a Gralha vencer o Vovô dentro do Castelão.

Revolta, muita revolta, mas nada adiantou. O árbitro validou o gol, deu três pontos a equipe de fora, mas nada que abalasse a continuidade da vitoriosa campanha do Alvinegro.

Jogos Chaves

O Ceará não vencia há muitos anos fora de casa. Era até preocupante para o torcedor lembrar que o Alvinegro ia jogar fora de seus domínios. Mas 2009 foi o ano de quebrar paradigmas. Por 1 a 0, o Vovô venceu o Brasiliense no estádio Boca do Jacaré e pois ao fim um enorme tabu.

(FOTO: Kiko Silva/Diário do Nordeste/Arquivo DN)

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Outro jogo importante foi a vitória frente ao Atlético/GO, pelo placar de 1 a 0, 16ª da competição nacional. O gol marcado por Misael colocou o Ceará entre os quatros melhores times da competição, onde permaneceu até o final do campeonato, terminando na terceira colocação.

Sem sombra de dúvidas, o jogo mais marcante foi a vitória diante do Vasco. Num Maracanã com ótima presença de público cearense, o Alvinegro venceu o time cruzmaltino por 2 a 0, na 21ª rodada.

Para coroar todo o trabalho, o Ceará sacramentou seu acesso na 37ª rodada, após vencer a Ponte Preta por 2 a 1, no estádio Moises Lucarelli. E quem marcou o gol do acesso? O homem que deu a primeira vitória alvinegra na competição: o zagueiro Fabrício.

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