Coluna: os 34 pontos mágicos, por Andrade Neto

agosto 13, 2017 | -

Diríamos que chegamos na pontuação mágica dos 34pts. Na verdade em 2014 e 2016 tivemos a mesma pontuação dentro do G4, e não dá para ficar sonhando com acesso hoje, com tanta água para rolar debaixo da ponte. Tento a seguir fazer um resumo do que nos faz pensar estarmos próximo do sonho, e ao mesmo tempo distante, colocando um pé atrás, e um pé a frente do acesso.

Um pé atrás hoje penso em um elenco ainda inexperiente em algumas peças, porém essa inexperiência ainda não deu para percebermos em todos os jogos, contudo no jogo de ontem contra o CRB, assistimos no finalzinho, uma certa ansiedade do time, e isso tem que ser controlado para conseguirmos pontos importantes, e principalmente na parte mais decisiva do campeonato quando precisaremos controlar essa ansiedade.

No pé a frente do acesso, primeiro coloco as peças de reposição, enquanto em outros anos, nessa fase percebíamos que nos faltavam peças, nesse momento do campeonato, percebemos que nos sobram peças, por exemplo para a armação do jogo temos um Richardson, Pedro Ken e  até um Ricardinho; para a zaga temos um Luis Otávio, Rafael Pereira e Thiago Alves; para a meia temos Cafu, Lima e Ricardinho; para as laterais também vemos equilíbrio; e no ataque Lelé, Elton e Arthur vem resolvendo, sem esquecer que ainda temos Magno Alves e Roberto no banco.

O outro pé a frente é a variação de jogo de Marcelo Chamusca, bem diferente de Sérgio Soares, que não variava a forma de jogar, atuando sempre do mesmo modo com sua intensidade, muito previsível para os adversários. Chamusca vem acertando no seu esquema (4-2-3-1), e modificando o esquema dentro do próprio jogo, o que bagunça a marcação adversária e termina ganhando o jogo, foi assim com Abc (4-4-2), e ontem contra o CRB também surtiu efeito.

Mais um pé a frente é o preparo físico, o time parece muito bem fisicamente, a prova disso que das últimas 4 vitórias seguidas do Ceará o jogo se resolveu ao nosso favor nos últimos 20 minutos de jogo, quando o adversário cansou, e nós ganhamos o jogo com a força de preparação física também. Não podemos deixar de ressaltar  a gana do elenco, que  é visível em todos os jogos também, jogando muitas vezes no famoso 110%.

O último pé a frente que percebi ontem, foi o bate-papo que tive com alguns diretores, que estavam um pouco calejados de fracassos recentes, onde o time arrancou e perdeu a série b. Vi no vestiário a alegria de uma vitória, mas nada de festa, muito pelo contrário, o pé estava bem no chão, e realmente tem que ser, o foco não pode ser perdido em nenhum momento, a guerra apenas começou, e se manter no G4 é muito mais difícil do que chegar. Agora é a hora de trabalho 24hs, quem quer a gloria do acesso, tem que sofrer calos e arranhões, e os olhos tem de estar arregalados a todo momento, sem direito a piscar.

Já a torcida, não tenho dúvidas, o que assisti em Natal e ontem, ajustou a sintonia do acesso, agora é não perder esse momento mágico, trazer mais ainda esse torcedor para dentro dessa sinergia, e alcançar o tão sonhado retorno a série A.

Eu acredito, aliás eu sonho, mesmo que pareça muito difícil, não custa sonhar.

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