Mudaremos com DOR ou sem DOR? Por Andrade Neto.

março 28, 2019 | ANDRADE NETO, COLUNAS

O rei da posse de Bola.

Imaginemos um jogo onde o importante é ter a bola, independente do que você fará com ela. Bem esse é o CEARÁ de hoje, um time que retém a bola, fica com ela, mas não é agressivo. Já assistimos inúmeras partidas assim: contra o Corinthians nos enganamos, mas a diferença para os demais jogos é que chutamos no gol, a média distância porém, mas chutamos. Já no campeonato cearense realmente da sono assistir um jogo de toques de lado.

Pior que ver um futebol improdutivo, é assistir que a base desse meio campo foi a mesma que iniciou a série A do ano passado, com Juninho e Ricardinho nessa cadência, e controlando a bola como se isso gerasse algo de positivo no futebol. Vejam e percebam que esse meio que iniciou o campeonato, também terminou, e para a surpresa de muitos chegou até a enganar, contudo os números não enganam. Foram 5pts em 12 jogos no início do campeonato, e 7pts em 7 jogos no fim, com a dupla improdutiva, e sem pegada.

Quando olhamos então para os 19 jogos que decidiram a vida do Ceará em 2018, assistimos um time completamente diferente, “aquele sim era o time do Lisca Doido”. Aquele foi o time que ficamos conhecido no Brasil por jogar de maneira inteligente. Éramos lembrados de um time que “não tinha a bola” e era extremamente agressivo no contra ataque. Uma linha baixa de defesa com Edinho e richardson, e uma saída como uma bala com calysson de um lado, cachaça do outro, e richardson e Juninho Quixada pelo meio puxando a transição. Foi assim que ficamos conhecidos, e fizemos 31pts em 19 jogos, em uma campanha de libertadores.

Olhar Juninho e Ricardinho em campo, é como voltar no tempo 40 anos. Um futebol parecido com o da década de 80, toques do lado, marcação cercando sem pegar, e contra ataques sem saída de jogo. Até conseguimos enganar contra adversários fraquíssimos, contudo, com adversários de nível, logo os buracos se abrem na defesa, que tem de se virar como pode, como também nos tornamos presa fácil para qualquer adversário que espera só roubar uma bola, e sair em velocidade no contra ataque. Foi assim contra Corinthians, e contra até o nosso rival quando eles tiveram oportunidades inúmeras na cara do gol.

Fico a me perguntar se ninguém viu a França ganhar a copa com um futebol de reatividade impressionante. Se não viram, façam o favor de assistir então só França x Argentina que virão como um futebol reativo esmaga um time que só toca a bola de lado. Bem esse é o nosso CEARÁ que mais parece um visitante caminhando passivamente em meio a savana africana, pronto pra ser devorado a qualquer momento pelos animais que ali habitam.

Aos que venham a me dizer que o Barcelona de guardiola era posse de bola, afirmo que estudem um pouquinho mais, e verão que não. Os inúmeros estudos não falam sobre posse de bola, mas sim em reatividade no último terço do campo, onde qualquer roubada de bola ali é fatal, assim jogava aquele Barcelona, pronto para roubar uma bola, e matar, tanto que quando a idade daquele time pesou, o futebol contagiante acabou, pelo simples: não tinha mais agressividade de marcação no último terço do campo, então não há mais como ser reativo, e perigoso, sobrou ou se re-inventar, como agora, ou esperar o momento de genialidade de alguém, isso não encontraremos no Ceará.

Falei tudo isso, para ser claro que o CEARÁ, com esse time de hoje com Juninho e Ricardinho está tendo sua última chance de mudar. Minha preocupação não é o cearense, até porque pela fragilidade dos adversários pode ser que o CEARÁ vença a duras penas. Contudo me preocupa a série A, em entrarmos com a mesma filosofia que entramos ano passado, e o resultado já sabemos. A hora é de mudar. Então escolhamos: MUDAREMOS COM DOR OU SEM DOR?

Forte abraço.

Andrade Neto

Em prol do Grande Ceará

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