COLUNAS: O Clássico-Rei mais importante do Centenário, por Andrade Neto

maio 1, 2013 | ANDRADE NETO, COLUNAS

Semana pré-clássico é sempre assim, cheia de mistérios e resenhas, que fazem fervilhar o estômago de qualquer torcedor. Como não poderia deixar de ser, coloco aqui minha opinião sobre aquele que considero um dos clássicos mais importante da história dos dois clubes.

As circunstâncias nos levam a um confronto precipitado nas semi-finais, talvez por um deslize no início do campeonato, ou como muitos preferem, deslizes nas últimas rodadas. A verdade é que estamos de frente com o nosso Rival mais tradicional em mais um confronto que certamente poderá ser uma mudança de rumo no futuro dos dois clubes.  Dessa forma tentei traçar um parâmetro de como ambos estão vivendo os seus momentos e perspectivas, e mapear um possível futuro de nosso alvinegro baseado na vitória e numa derrota no clássico. Dessa forma vamos aos fatos:

1 – EM CASO DE DERROTA DO VOZÃO NO CONFRONTO DUPLO:

Isso dará um gás fenomenal para o nosso Rival, que não esqueçam, tem um bom treinador e pode usar isso para embalar, e quem sabe subir de divisão. Se isso acontecer, algo que considero dentro do padrão normal, e nós não venhamos a subir para a série A, o ano de 2014 teríamos um Ceará praticamente sem jogar de Novembro até março (jogar o Cearense com a turma do interior é pior do que não jogar, prejuízo na certa, pagar para jogar). Já o nosso Rival, na nossa mesma divisão, jogaria um Nordestão…

Imaginaram? Eu imaginei, tudo que eles estão vivendo hoje, passaríamos a viver, a roda da história estaria virada, e tudo construído nos últimos anos, teríamos que reconstruir. Gosto nem de pensar nisso, mas é importante alertar, principalmente aqueles que fazem o Ceará

2 – EM CASO DE VITÓRIA DO VOZÃO NO CONFRONTO DUPLO:

Isso daria um gás a nosso time fazendo uma final com o Icasa ou Guarany, sendo perfeitamente possível a conquista do Tri. Junto disso viria a vaga do Nordestão para o proximo ano, que jogaríamos o torneio sem a presença de nosso maior Rival. Na série B entraríamos com o pé direito com tudo para embalar. Do outro lado, nosso Rival, segundo informações da imprensa, com dois meses de salários atrasados, certamente iria para o terceiro, sem qualquer perspectiva de melhora, ou seja, uma perspectiva de quase morte, tudo isso numa série C, daria praticamente o atestado de continuidade de divisão, ou mesmo de rebaixamento para uma série D.

Em 2014, começaríamos o ano jogando o Nordestão, e tendo a possibilidade de repetir mais um tetra. O nosso Rival por sua vez , sem Nordestão, ficaria sem jogar desde Outubro até março (quase 6 meses)… o seja uma morte mesmo.

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Nessas circunstâncias, vejo que esse clássico pode ser um divisor de águas, ou mesmo um início de um novo tempo (limpo ou tenebroso). A roda da vida e do futebol gira numa facilidade tremenda, e em se tratando de Ceará e Fortaleza, isso acontece quando se menos espera.

A hora é de total atenção de todos: da Comissão técnica com uma estratégia de respeito, tentando explorar os defeitos do nosso adversário e de proteção daquilo em que temos falhado nos últimos jogos. Do torcedor, que deve também respeito, pois apesar das duas vitórias, o fato de 2006, quando perdemos de 6 a 3, e 4 a 0, e vencemos a final do campeonato por dois resultados iguais de 1 a 0, já nos deixam a lição de que em clássico decisivo as camisas se nivelam , apesar de toda a vantagem teríamos. Já a diretoria, essa é a que mais me preocupa, pois não acredito que numa partida tão importante como essa deixaremos nas mãos de Mauro Carmélio decidir o nosso futuro, escolhendo a arbitragem (lembram-se do Chicão de 2011?) a seu prazer, sem exames anti-dopping, e ainda dando de graça o nosso mando de campo na segunda partida para o nosso Rival.

Em outros tempos não daríamos tanta sopa ao azar, e esse foi um dos motivos, que levaram o Ceará de 2008 para o de hoje, em 2012, ultrapassar o nosso rival em termos estruturais e de crescimento como clube, pois não “davamos sopa para o azar”. Infelizmente essa última medida do jogo mais importante do ano, quero eu acreditar que a direção do Ceará está ciente de todos os passos que está dando, do contrário não gostaria de ver, acontecer a minha trágica previsão.

Prefiro apostar que vai da certo, e que o futebol premia sempre a equipe mais técnica, e que esses tempos de armação na Federação como esconder documentos de jogador “gato”, como em 2000, e atas de reuniões, como a de 2004, acabaram, e que hoje temos uma direção profissional, que olhará para esse clássico sem clubismo. Vamos torcer que isso aconteça, e que o nosso futuro seja limpo, sem manchas para o ano de 2014, do nosso centenário.

 

Bom clássico a todos, em paz sempre!!!

 

Andrade Neto

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