Colunas: Reflexões em Preto e Branco, Andrade Neto

junho 3, 2013 | ANDRADE NETO, COLUNAS

TIME COM MUITOS ATACANTES = TIME OFENSIVO: SERÁ?

Por diversos anos no futebol brasileiro, se criou uma cultura de que uma equipe com muitos atacantes seria um time com muita ofensividade. Muitos torcedores por diversas vezes escalam sua equipe com 3 atacantes, ou mesmo com dois meias, ou num quadrado mágico na imaginação de ter uma equipe ofensiva.

Tudo isso é muito romântico, e na teoria funcionaria, se nossos atacantes marcassem a saída de bola como nossos volantes marcam, porém infelizmente só temos essa postura de marcação em pouquíssimos atacantes do futebol brasileiro. No Ceará, o treinador Leandro Campos chegou tentando montar um time com uma postura equilibrada, e conseguiu em seus primeiros jogos, porém logo após, sofrendo pressões da imprensa para por em campo o quadrado mágico lançou mão de Lulinha, Ricardinho, Magno Alves e Mota. Até aí tudo bem, porém na prática esse quadrado não vem dando certo pelo pouco poder de marcação de nossos atacantes, caindo tudo nas costas de nosso melhor meia, Ricardinho, que vem sendo sacrificado pela falta de poder de marcação dos outros três atacantes, tendo esse que voltar para recompor uma defesa.

Dessa forma encontramos hoje um Ceará que vive o verdadeiro dilema de essa ofensividade do papel não acontecer em campo. De nada adianta ter muitos atacantes se esses não marcarem como volantes a saída de bola, e de nada adianta ter 3 volantes em campo, se esses não jogarem como meias na saída de bola. Esse é o futebol moderno, onde os jogadores tendem a serem cada dia mais versáteis.

Infelizmente hoje nosso treinador certamente tem dificuldades em acertar a equipe, e na modesta opinião desse que escreve deve escolher o seu método de jogar em priorizar a defesa e armar um time com três zagueiros/volantes, e partir daí montar um esquema onde se avance a marcação dos volantes pressionando a saída de bola do adversário, com liberdade para nossos laterais. Ou mesmo deveremos priorizar um esquema com um quadrado de atacantes e meias, porém com a doação de todos desses. Esse é o mesmo dilema que vive o futebol brasileiro em sua seleção, com a falta de poder de marcação de nossos atacantes, e por isso não conseguem vencer equipes de grande expressão, pelo fato de seus atacantes não conseguirem manter um padrão de marcação de saída de bola regular durante um jogo.

Vale lembrar também que um esquema com 3 volantes ou zagueiros só rende quando a postura do time em campo é ofensiva, com esses volantes marcando no campo de ataque, como o Ceará fez muito bem no biênio 2009/2010. Caso esses mesmos volantes se retraiam ao campo de defesa certamente teremos uma retranca, no famoso “deus nos acuda”, portanto para isso precisamos de jogadores no meio campo com personalidade que saiam para o jogo, e treinador com a mesma postura, de vencedor.

Já Leandro Campos, apesar de resultados conseguidos a ferro e foice, ainda não conseguiu acertar, pois o mesmo ainda vive o dilema de fazer nossos atacantes marcarem, ou fazer nossos volantes jogarem. Esperamos que o manager do futebol do Vozão saiba o que está fazendo, e que a diretoria também, ao contratarem jogadores com o perfil para o atual futebol mundial, como atacantes que marcam a saída de bola, e volantes que sabem jogar. Sem esse perfil não se consegue mais montar uma equipe sólida.

 

SINAL AMARELO:

Apesar dos 5 pontos conquistados em 3 jogos, os três adversários que o Ceará enfrentou encontram-se no Z-4, o que é um sinal que os jogos fora de casa poderiam ter vindo vitórias. Empatar fora de casa não sobe ninguém de divisão, a síndrome da cancela tem que desaparecer. Como dizia Luxemburgo: “O Medo de perder tira a vontade de vencer”. Foi assim contra o ABC, quando a equipe alvinegra jogava melhor, e estava próximo de marcar, quando o treinador tirou de campo o melhor atacante naquele momento para colocar um volante com pouca qualidade de marcação e trouxe a equipe potiguar para cima, quase perdendo o jogo.

 

SANTA CATARINA EM ALTA

Por muito tempo o interior de São Paulo era o predileto pelos clubes Cearenses na busca de reforços para a série B. Hoje vemos o “boom” do futebol catarinense com uma equipe na série A, e 4 times no G-4 da série B, demonstrando que tanto o investimento lá, quanto o mercado caminham em passos largos naquele estado. Taí a dica na busca de reforços, e onde se copiar um modelo de gestão em futebol.

 

SEIS POR MEIA DÚZIA

A saída de Rafael Vaz fez o Alvinegro perder uma referência em nossa zaga, ou a diretoria trás um atleta com as mesmas características e com qualidade, ou certamente perderemos força no nosso setor defensivo, que vinha se arrumando. É bom abrir do olho: contra o ABC, Fernando Henrique foi um dos melhores em campo, um mal sinal.

 

SONHO REALIZADO

A diretoria do Vozão realiza o sonho do torcedor alvinegro com a compra do CETEN, uma aquisição que é um sonho realizado. Certamente a administração Evandro Leitão foi a maior da história do clube em ganhos estruturais. A quitação das dívidas trabalhistas e a aquisição de um CT transforma o Ceará num potencial clube de ponta no NE.

 

IMPRENSA MARROM IGUALITÁRIA

É interessante como a imprensa consegue destoar as coisas, quando as essas atingem Ceará ou Fortaleza. É claro e nítido que o nosso maior Rival não fechou com o Castelão, pois sabe-se que lá para se ter ganho financeiro, os públicos tem que ultrapassar a casa dos 8 a 10 mil pessoas, como eles não conseguem uma média acima de 5 mil espectadores é lógico que a maioria dos jogos seriam prejuízo, razão pela qual os coloridos roeram a corda. Já com o Ceará a coisa é diferente, com média alta de público, com muitos sócios, e com a alta fidelidade do torcedor alvinegro o Castelão é viável financeiramente para o Vozão. Clube grande joga em estádio grande, clube pequeno…

 

Boa semana a todos,

Andrade Neto

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